Nessa obra, articulada em três partes (O teatro na Argélia, o teatro argelino, o teatro
pós-independência), Mohammed Kali propõe uma nova interpretação da história da
quarta arte na Argélia, profundamente marcada pelo contexto e pelas diferentes
mutações da sociedade. O autor se mostra sem concessões e relativiza, ou
melhor, coloca em questão certas abordagens e teorias ligadas à prática teatral
argelina, especialmente a contribuição dita “fecunda” do Maxerreque no início
do século XX. (...) Na terceira parte da obra,
consagrada ao teatro pós-independência, Mohammed Kali evoca o chamado "teatro
das certezas", relativo aos primeiros anos de independência, e ao teatro de
Mustapha Kateb. Relembra as experiências de Abdelkader Ould Abderrahmane, conhecido
por Kaki, e de Abdelkader Alloula juntamente com El-Halqa e o “teatro
identitário”, abordando o caso de Kadour Naïmi. Precisamente nesse capítulo o
autor tenta reconsiderar a questão em torno de Kadour Naïmi, explicando
claramente que suas divergências com Kateb Yacine eram, sobretudo, de ordem
ideológica, e talvez aí se encontre a raiz do problema. O problema do teatro
argelino parece residir no fato de que ele foi, desde sua criação, uma aposta.
Aliás, até a problemática da língua – hoje muito menos importante, mesmo sendo utilizada
de todas as formas durante os debates após as apresentações, especialmente nos
festivais - foi uma aposta política nas décadas anteriores. Todos esses fatores
nos levam a concluir que a subversão do teatro – uma arte viva, pois evolui - e
seu impacto sobre os espectadores fazem com que a prática teatral evolua de
acordo com o contexto histórico. "Banha-te, Nedjma, prometo-te não ceder à tristeza quando o teu encanto se dissolver pois não há nenhum atributo da tua beleza que não me tenha tornado a água cem vezes mais cara; não é a fantasia que me faz sentir este imenso afecto por um caldeirão. Amo cegamente o objecto sem memória em que se disputam os últimos manes dos meus amores."
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
"100 ans de théâtre algérien", de Mohammed Kali
Nessa obra, articulada em três partes (O teatro na Argélia, o teatro argelino, o teatro
pós-independência), Mohammed Kali propõe uma nova interpretação da história da
quarta arte na Argélia, profundamente marcada pelo contexto e pelas diferentes
mutações da sociedade. O autor se mostra sem concessões e relativiza, ou
melhor, coloca em questão certas abordagens e teorias ligadas à prática teatral
argelina, especialmente a contribuição dita “fecunda” do Maxerreque no início
do século XX. (...) Na terceira parte da obra,
consagrada ao teatro pós-independência, Mohammed Kali evoca o chamado "teatro
das certezas", relativo aos primeiros anos de independência, e ao teatro de
Mustapha Kateb. Relembra as experiências de Abdelkader Ould Abderrahmane, conhecido
por Kaki, e de Abdelkader Alloula juntamente com El-Halqa e o “teatro
identitário”, abordando o caso de Kadour Naïmi. Precisamente nesse capítulo o
autor tenta reconsiderar a questão em torno de Kadour Naïmi, explicando
claramente que suas divergências com Kateb Yacine eram, sobretudo, de ordem
ideológica, e talvez aí se encontre a raiz do problema. O problema do teatro
argelino parece residir no fato de que ele foi, desde sua criação, uma aposta.
Aliás, até a problemática da língua – hoje muito menos importante, mesmo sendo utilizada
de todas as formas durante os debates após as apresentações, especialmente nos
festivais - foi uma aposta política nas décadas anteriores. Todos esses fatores
nos levam a concluir que a subversão do teatro – uma arte viva, pois evolui - e
seu impacto sobre os espectadores fazem com que a prática teatral evolua de
acordo com o contexto histórico. A literatura deve transmitir o sofrimento tal qual é
Toda a literatura de Kateb Yacine é um combate
pela dignidade, é nisso que residem a poesia e a beleza de seus textos. A
literatura deve transmitir o sofrimento tal qual é... Kateb tem essa capacidade
de nos remeter a nossa própria dignidade. Tomei distância em relação a tudo o
que li dele e o abordei a partir do pensamento de Lao Tseu, cujo princípio
é a alternância entre os contrários (...) Sua poesia contém a música e o
silêncio. Fiz também um paralelo entre ele e o poeta libanês Salah Stétié
(também nascido em 1929), que escreveu em francês e viveu a mesma revolta, o
mesmo dilaceramento em relação à língua. Tentei compreender a tentativa de
Kateb manter um equilíbrio entre o amor e o ódio, a aproximação e a
distância...ele soube regular a relação entre as antinomias. Através desse jogo
de alternância, Kateb soube elevar Nedjma e a Argélia ao nível cósmico, conduzindo à ideia de escrita universal.
Entrevista com Dima Hamdane,
intelectual e pesquisadora libanesa
Ler mais aqui
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Resposta de Kateb Yacine ao jornal parisiense Libération, em 20 de julho de 1988
"Descobri rápido, disse Sócrates, que não é pela sabedoria que os poetas criam suas obras, mas por um certo poder natural e pela inspiração, como os divinos e profetas que falam tantas coisas belas, mas não compreendem nada do que dizem." "A poesia, disse Shelley, não é como o raciocínio, faculdade exercida de bom grado.... O maior poeta não pode exprimi-lo." Blake confessa que escreveu seu poema Milton sem premeditar. Keats não estava consciente do que escrevia "por acaso ou por magia", isso lhe parecia a "produção de um outro". Goethe: "os cantos me fizeram, não fui eu quem os fiz." Mais lapidário, Rimbaud: "Eu é um outro." Wordsworth estava em transe quando concebeu sua conhecida ode: "As coisas que caem da gente, que se desvanecem..."
Conheci esse estado colaborador num inverno em Paris, terminando ao mesmo tempo, quase simultaneamente, Nedjma e Le cadavre encerclé. Em menos de dois meses, tudo acabou. Era maré cheia, eu era como um rio na tempestade. Escrevia sentado, em pé, comendo, e mesmo no sono: vinham-me de repente estrofes e frases que me acordavam em sobressalto. Tudo isso mostra a parte inconsciente no trabalho do poeta ou do escritor. O que passa longe da política.
(tradução livre)
Kateb Yacine, Le Poète comme un boxeur:
entretiens 1958-1989, Éditions du Seuil, 1994.
sábado, 25 de janeiro de 2014
"a flor vermelha feito um coalho de sangue prendendo de lado os cabelos negros"
" (...) e não tardava Ana, impaciente, impetuosa, o corpo de campônia, a flor vermelha
feito um coalho de sangue prendendo de lado os cabelos negros e soltos, essa minha
irmã que, como eu, trazia a peste no corpo, ela varava então o círculo que dançava e
logo eu podia adivinhar seus passos precisos de cigana se deslocando no meio da
roda, desenvolvendo com destreza gestos curvos entre as frutas e as flores dos
cestos, só tocando a terra com a ponta dos pés descalços, os braços erguidos acima
da cabeça serpenteando lentamente ao trinado da flauta mais lento, mais ondulante,
as mãos graciosas girando no alto, toda cheia de uma selvagem elegância, seus dedos canoros estalando como se fossem, estava ali a origem das castanholas, e em torno dela a roda girava cada vez mais veloz, mais delirante, as palmas de fora mais quentes e mais fortes, e mais intempestiva (...) ela
sabia fazer as coisas, essa minha irmã, esconder primeiro bem escondido sob a língua a sua peçonha e logo morder o cacho de uva que pendia em bagos túmidos de
saliva enquanto dançava no centro de todos, fazendo a vida mais turbulenta,
tumultuando dores, arrancando gritos de exaltação. (...)"
Raduan Nassar
Lavoura Arcaica (1999) Relógio d'Água, p. 31
Raduan Nassar (n.1935) é um escritor brasileiro de origem síria e libanesa. Estudou Filosofia na Universidade de São Paulo e publicou, entre outras obras, Lavoura arcaica (1975) Um copo de cólera (1978) e Menina a caminho (1994). Nassar terá deixado de escrever por volta de 1984 para se dedicar inteiramente à vida rural em Buri no estado de São Paulo. Apesar do número reduzido de livros publicados é considerando um dos mais importantes escritores da literatura brasileira do século XX, tendo sido galardoado, nomeadamente, pela Academia Brasileira de Letras com o Prémio Coelho Neto. Depois de ter dedicado grande parte da sua vida à criação de gado e ao cultivo de arroz, aveia, soja e trigo, Nassar decide em 2011 doar parte da sua fazenda a particulares e outra parte à Universidade Federal de São Carlos, com vista à criação de cursos de Agronomia, Engenharia Florestal, etc.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
«Nedjma» de Kateb Yacine na versão árabe de Said Boutadjine
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Carta de Albert Camus a Jean Grenier
Sanatorium du Grand Hôtel
Leysin,
21 de Janeiro [1948]
Dear friend,
One must get out of Paris to get one’s letters written. It’s stupid but it’s the truth. Lately I have spent time fighting damned nuisances and false obligations in order to work on the dialogues of a production I have just finished for Barrault. Apart from that, I wasn’t capable of anything. And then I fled to Switzerland to see Michel Gallimard and also to begin my play about the Russian terrorists of 1905. To get some rest as well, in spite of, or because of, my hatred for the mountains.
There was no hesitation on my part regarding Egypt. We were decided, and really happy about the trip. But it seems to me that M. Fort has misinformed you. In fact the Relations Culturelles was unwilling to assign me…Unless I am mistaken, I have the impression they don’t want to send me to an Arab country right now, for reasons you can very well imagine. So they strongly suggested England, Italy, South America, the Scandinavian countries, who knows what else…Since I’m not one to insist (damned pride!), I politely agreed. I regret it and I can’t tell you how much. Europe and its cemeteries disgust me.
So…I came to take refuge in the city of sanatoriums. Here I reflect and hope to find a way to leave Paris for good (at least!).
Thank you also for what you wrote me about La Poste. But I believe less and less that man is innocent. The thing is, my basic reaction is always to stand up against punishment. After the Liberation I went to see one of those purge trials. The accused was guilty in my eyes. Yet I left the trial before the end because I was with him and I never again went back to a trial of this kind. In every guilty man, there is an innocent part. This is what makes any absolute condemnation revolting. We do not think enough about pain.
Man is not innocent and he is not guilty. How to get out of that? What Rieux…means is that we must cure everything we can cure—while waiting to know, or see. It’s a waiting situation and Rieux says, “I don’t know.” I came a long way to reach this admission of ignorance. One begins with a discourse of parricide and comes back to the morality of common men. That’s something to be proud of.
At the very least, it seems to me that one must acknowledge it and move on. This is what remains for me to do. And it is then that I will have something less trivial to tell you perhaps. But it’s about solitude and I would like to be sure of my words…
In any case, have no doubt about my affectionate thoughts. Sometimes it seems I no longer have anything to say to anyone except to you (and to my mother, with whom I never speak of course). And in everything I intend to do, I would be at quite a loss if I could not turn to you. Write to me in spite of my silence.
To you and yours, very affectionately.
Albert Camus
Correspondences, 1932-1960: Albert Camus and Jean Grenier. Lincoln: University of Nebraska Press (2003), pp. 111-113.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Kateb Yacine: o insubmisso
Chegou às bancas a versão francesa do livro Nabi El içyan, ("Le prophète de l’insoumission") do jornalista Hamida Layachi.
Mais informações aqui.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Mistério e inacessibilidade
Alina Gageatu-Ionicescu
"Lectures de sable: les récits de Tahar Ben Jelloun"
UEB - Université européenne de Bretagne (2009)
"Lectures de sable: les récits de Tahar Ben Jelloun"
UEB - Université européenne de Bretagne (2009)
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Abdelkébir Khatibi,
Alina Gageatu-Ionicescu,
Tahar Ben Jelloun
Sem Kateb Yacine...
"Radicalement insolite au moment de sa publication, […] l’oeuvre de Kateb, aujourd’hui encore, n’a rien perdu de sa force ni de sa fécondité. Sans elle, ni Mohammed Khaïr-Eddine, ni Rachid Boudjedra, ni Abdelkébir Khatibi, ni Tahar Ben Jelloun, entre bien d’autres, n’auraient sans doute écrit de la même façon. (...)"
Jacques Noiray
Littératures francophones, I. Le Maghreb, Paris, Éditions Belin, 1996, p. 139
Avant garde
"C’est une oeuvre qui se situe d’emblée dans ce qu’il est convenu d’appeler l’avant-garde du roman, et c’est bien là, le trait le plus spécifique du génie de Kateb. Alors que le roman maghrébin d’expression française, héritier de toute une tradition littéraire, s’inscrit dans une technique strictement réaliste, sans innovation d’aucune sorte […] Kateb Yacine, par la structure de son récit, rejoint ce qu’on appelle déjà en France le ʺNouveau romanʺ, qui n’en est encore cependant qu’à ses premières productions. (...)"
Marc Gontard
Nedjma de Kateb Yacine. Essai sur la structure formelle du roman.
(1985) Paris: L’Harmattan
domingo, 29 de dezembro de 2013
A propósito da 1ª publicação de «Nedjma»
"Desde a primeira tentativa de publicação, já se viam a particularidade e a originalidade
da obra, muitas vezes não compreendidas pelo mercado editorial. Quando a apresentou para a
editora Seuil, Kateb Yacine não imaginava ter que reduzi-la a 256 páginas, pois as 400
escritas inicialmente não condiziam com as normas impostas pelas editoras na época. Em
1956, Nedjma é publicado; extratos do manuscrito original são editados em Le polygone
étoilé, dez anos mais tarde.
Nota-se a curiosa disposição dos capítulos no primeiro romance: dividido em quatro
partes de doze capítulos, há duplicação de mais doze capítulos nas terceira, quarta e sexta
partes, composição que auxilia na quebra da linearidade narrativa e favorece os circunlóquios
dos narradores. Muitas vezes, o enredo se apropria de acontecimentos que marcaram a história
do país e a vida do autor, dando margem à voz de Kateb nas brechas narrativas dos
protagonistas. (...)"
Melissa Quirino Scanhola
"A tessitura da nação argelina em Nedjma, de Kateb Yacine"
USP | Área de Estudos Linguísticos, Literários e Tradutológicos em Francês (2013), p.60
Poliândricas
“As cidades são como as mulheres fatais, viúvas poliândricas cujo nome se perdeu... Glória às cidades
vencidas; não entregaram o sal das lágrimas, tal como os guerreiros não derramaram o nosso sangue.”
Kateb Yacine
Nedjma, (1987), p.159
Programa do 5º Colóquio Internacional Kateb Yacine | De 15 a 19 de Janeiro em Guelma
sábado, 28 de dezembro de 2013
Noémie Martineau sobre Kateb Yacine e Helene Cixous
"Kateb Yacine et Hélène Cixous : deux auteurs qui en apparence n’ont pas assez
de liens pour justifier une étude littéraire qui les place en relation étroite. Mais si l’on
s’intéresse de près à leur biographie, c’est tout simplement autour de leur pays
d’origine que l’on peut les rapprocher : ils sont tous deux nés en Algérie,
sensiblement à la même époque – Kateb Yacine en 1929, Hélène Cixous en 1937. (...)"
Noémie Martineau
Lyon, 2005
Emel Mathlouthi
"I'am the voice of those who do not give in.
I am a meaning in the midlle of chaos."
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Kateb Yacine n'A Hora das Cigarras | RDP África
O programa A Hora das Cigarras de 29 de Setembro de 2013, da autoria de José Eduardo Agualusa, é inteiramente dedicado a Kateb Yacine. Importa dizer que os excertos de «Nedjma» ditos ao longo do programa por Ana Paula Gomes, ao contrário do que se indica, foram seleccionados, mas não traduzidos por mim. O mérito deve-se à Teresa Meneses e ao António Gonçalves. Fiz traduções avulsas, sim, (tal como a Melissa Scanhola) mas para publicação exclusiva nesta página. De qualquer forma, excelente programa!
Elementos do erótico em Alain Robbe-Grillet, Kateb Yacine e Sony Labou Tansi
Estudo de Yvette Sagini-Lebas, L'Harmattan, (2013), com prefácio de Arlette Chemain-Degrange.
Mais informações aqui.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Entrevista a Fadila Kateb
Algérie News : Pensez-vous que votre défunt frère, Kateb Yacine, tient la place qui lui revient dans le monde littéraire algérien ?
Fadila Kateb : Maintenant, je constate que l’œuvre katébienne est en train de foisonner à travers les rencontres qui se tiennent ici et là, ce qui permettra notamment aux jeunes de la découvrir. Mais je dois préciser que Yacine, en tant qu’écrivain, homme de théâtre et patriote, ne tient pas la place qui lui revient. D’abord, il s’agit d’un reniement qui n’est pas du tout anodin que d’aucuns auront constaté. Il est renié même après sa mort. Le système éducatif l’a ignoré depuis toujours. Ses textes, s’ils sont inclus dans les programmes actuels, sont insuffisants. Les œuvres de Yacine ne sont pas enseignées convenablement, au même titre que l’ensemble des écrivains et hommes de lettres algériens. Enseigner un petit texte katébien au collège, au lycée ou vaguement à l’université, ne suffit pas à connaître cet homme et son œuvre. Non seulement les textes inclus dans les manuels sont mal choisis, mais ils sont incomplets, en plus du choix des questions y afférentes qui ne permettent absolument pas leur compréhension, mais aussi de connaître l’auteur dans ses diverses dimensions.
Fadila Kateb (irmã de Kateb Yacine)
Em entrevista ao Algérie News | 3 de Novembro de 2012
Continue a ler aqui.
Ce trésor de guerre, ce leg se situe à quel niveau : celui de l’engagement politique ou celui l’héritage littéraire ? | Hamé
Em entrevista ao The Chronicles | 25 de Novembro de 2013
Continue a ler aqui.
Comment avez-vous découvert Kateb Yacine? | Kaoutar Harchi
Kaoutar Harchi : Vers l’âge de 15 ans. J’habitais chez mes parents. C’est une fenêtre qui s’est ouverte, vers un extérieur que je ne connaissais pas. Me plonger dans son œuvre fût une manière de combler le vide laissé par mes parents. A l’époque, la culture «maghrébine», je ne la connaissais que très peu. Kateb m’a racontée une histoire relative à ces pays-là. Une histoire d’autant plus intéressante qu’elle est véritablement fantasmatique, totalement imaginaire, totalement coupée d’une certaine dimension réelle.
Em entrevista ao The Chronicles | 25 de Novembro de 2013
Continue a ler aqui.
domingo, 24 de novembro de 2013
A mulher em «Nedjma» de Kateb Yacine
"La littérature maghrébine de langue française est l'une des expressions fulgurantes de la réalité nord-africaine, de ses crises, de ses angoisses, de ses déceptions et de ses rêves. Dans cette perspective, le roman, le genre qui a un attrait de prédilection, a émergé sur un fond colonial et a revendiqué une place dans son giron. Le roman maghrébin est l’héritier d’une longue tradition littéraire occidentale. Il se veut non seulement une représentation de la réalité maghrébine traversée par diverses crises mais également une réflexion sur l’évolution de son histoire et sur les aspects cachés de la vie quotidienne. Les écrivains maghrébins et dans notre cas, Kateb Yacine, abordent non sans audace des zones d’ombre de la société algérienne à laquelle il appartient. Celle-ci est figée dans des structures archaïques par des tabous ancestraux dont celui de la femme n’est pas sans importance. L'entreprise romanesque de Kateb Yacine n'a pas frappé d’ostracisme la réalité féminine. Au contraire, elle y est investie et ce, sous différents aspects. La figure féminine est le pivot central de son œuvre romanesque et plus particulièrement “Nedjma”.
L'investissement fictionnel du thème de la femme dans l'entreprise romanesque de Kateb Yacine se fait de façon particulière. En effet, Kateb Yacine déploie une figure féminine insaisissable, hybride et mystérieuse. Cette figure, Nedjma, n'est pas seulement un personnage ordinaire qui a un rôle et des rapports avec les autres personnages sur lesquels elle exerce une forte attraction à travers un espace temporel éclaté, mais aussi une figure qui s'érige en mythe; incarnation d'une Algérie asservie sous le joug du colonialisme et de l'effondrement des références culturelles et historiques d’un peuple. (...)"
L'investissement fictionnel du thème de la femme dans l'entreprise romanesque de Kateb Yacine se fait de façon particulière. En effet, Kateb Yacine déploie une figure féminine insaisissable, hybride et mystérieuse. Cette figure, Nedjma, n'est pas seulement un personnage ordinaire qui a un rôle et des rapports avec les autres personnages sur lesquels elle exerce une forte attraction à travers un espace temporel éclaté, mais aussi une figure qui s'érige en mythe; incarnation d'une Algérie asservie sous le joug du colonialisme et de l'effondrement des références culturelles et historiques d’un peuple. (...)"
Continue a ler aqui.
Tijani Saadani
Libération | 23 de Novembro 2013
domingo, 10 de novembro de 2013
05.11.1913 Argélia, Mondovi, Constantina | 4 de Janeiro de 1960 França, Villeblevin, Yonne
"O sol estava agora esmagador. Estilhaçava-se na praia e no mar. Tive a impressão de que Raimundo sabia onde ia, mas talvez estivesse enganado. Mesmo no fim da praia, chegamos a uma pequena fonte que corria para a areia, em direção ao mar, por detrás de um grande rochedo. Aí, encontramos os dois Árabes. Estavam deitados, com os seus trajes azuis e sujos. Tinham um ar calmo e quase beatífico. A nossa chegada não os incomodou. O que ferira Raimundo, olhava-o sem dizer uma palavra. (....)"
Albert Camus
O Estrangeiro (s.d), Livros do Brasil, p.127
trad. António Quadros
trad. António Quadros
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Camus e a Argélia
"My father, like Camus, attended the Lycée Bugeaud, where Jacques Derrida was his classmate (“I always did better than him in philosophy,” my father said), and the Faculté, where he studied law. In 1952, he departed for the United States on a Fulbright Scholarship—the list of French recipients that year shows him to be the lone student from Algeria—and thereafter he would always live in exile, in France, Australia, or North America. But surely he left home without appreciating that it would prove impossible to return. (...)
Nobody in my family ever spoke about the Algerian War. They told many stories about the 1930s and 1940s, when my father and aunt were children; but of what happened later, they were silent. In 1955, my grandfather took a position in Rabat, Morocco, and my grandparents did not live in Algeria again. In the late 1950s, when the war in Algeria was at its most fevered and vicious, my father was doing graduate work on Turkey at the Center for Middle Eastern Studies at Harvard: after his death, among his papers from that period, I found files of clippings on political upheavals in Egypt, Lebanon, Syria, Pakistan, India, Morocco, Libya, in addition to Turkey—but not one word about his homeland. My father’s lonely tears twenty-five years ago were, as far as I know, his only expression of emotion about what happened. (...)"
Claire Messud
The New York Review of Books | 7 de Novembro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
5o Colóquio Kateb Yacine em Guelma (Argélia)
Kateb Yacine: Langue(s), Arts et Révolution
de 15 a 18 de janeiro de 2014
Informações aqui
O Colóquio dará início ao Prêmio literário internacional Kateb Yacine da cidade de Guelma. A primeira edição (2014) é dedicada ao romance de língua francesa e concerne textos escritos entre janeiro de 2012 e novembro de 2013.
Mais informações aqui.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Imigrantes na literatura brasileira
"Um exame de qualquer compêndio de literatura brasileira evidenciará um dado curioso: escasseiam, até a década de 1970, autores cujos sobrenomes não sejam ibéricos (portugueses ou espanhóis) – ou, posto de outra maneira, somente a partir daquela década começam a ganhar visibilidade escritores (poeta ou prosadores) descendentes dos mais de 3,5 milhões de imigrantes que por aqui aportaram entre 1890 e 1930 – basicamente portugueses, espanhóis, italianos, alemães, japoneses, sírios, libaneses e judeus.
Miseráveis, expulsos de suas nações pela fome, aceitavam propostas, no mais das vezes inverídicas, de ir trabalhar a soldo num lugar desconhecido, com clima, vegetação, língua, costumes e hábitos alimentares totalmente diferentes dos seus. Estas famílias tiveram, portanto, que inicialmente resolver questões básicas de adaptação e sobrevivência: dedicaram-se a garantir moradia, comida e vestimenta para os filhos, proporcionando a eles, a primeira geração nascida no Brasil, condições um pouco mais dignas de vida. (...)"
(...)
Os sírios e libaneses não vieram para o Brasil expulsos pela fome, mas sim, em sua grande maioria, perseguidos pelo Império Otomano, por razões de crença religiosa, já que eram cristãos vivendo em território muçulmano. (...)
Luiz Ruffato
Africa 21, outubro 2013, via Buala, aqui.
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