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| Publisud (1986) |
"Banha-te, Nedjma, prometo-te não ceder à tristeza quando o teu encanto se dissolver pois não há nenhum atributo da tua beleza que não me tenha tornado a água cem vezes mais cara; não é a fantasia que me faz sentir este imenso afecto por um caldeirão. Amo cegamente o objecto sem memória em que se disputam os últimos manes dos meus amores."
segunda-feira, 1 de abril de 2013
"Le cas de Kateb Yacine" | Jacqueline Arnaud
quinta-feira, 28 de março de 2013
O delírio verbal de Kateb Yacine
"Perante a estagnação da literatura árabe, a literatura argelina continua a produzir obras diversificadas. Não se pode portanto falar de uma escola argelina, mas de um grupo de indivíduos unidos por uma mesma componente: a Argélia. (...) Em face desta geração que nasceu, literariamente em 1945, existe a geração de 1956, da qual Kateb Yacine aparece como único e o mais prodigioso representante. Numa prosa poetisada até ao delírio verbal, a obra de Kateb Yacine é um vaivém entre o mito e o real.* (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) pp. 152-153
[*Maurice Nadeau em France-Observateur, 1956]
[*Maurice Nadeau em France-Observateur, 1956]
Poesia de expressão árabe
"Pelos anos de 1930, o movimento reformista dos ulemás vai auxiliar a abertura de uma poesia voltada essencialmente em defesa do islamismo e da integridade da personalidade argelina Um dos mais ilustres arautos deste movimento foi o xeque Abdel Hamid ben Badis. (...)
[A literatura argelina] permanece também ligada a uma forma demasiado clássica que a sufoca e a impede de se universalizar. Contudo, após alguns anos, todo um movimento de jovens poetas (...) tenta fazer sair a poesia argelina de expressão árabe da sua golilha esterilizante. (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) p. 151
Em nome do alimento e do sal
"Na Argélia, não se ousa atraiçoar aquele com quem se compartilhou uma refeição, senão, usurpar-se-ia um contrato muito importante que é resumido na seguinte fórmula: Em nome do alimento e do sal!, pronunciada muito frequentemente durante uma refeição. (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) p. 78
Seroual, gandoura e kab'kab'
"As calças femininas são chamadas seroual. Com as calças, as mulheres usam boleros justos à cintura, com mangas muito largas e recortadas nos punhos. Entre os ricos, os boleros são muitas vezes bordados, de cetim ou seda de cor clara. Quando não usa calças, a mulher veste uma gandoura, espécie de vestido muito comprido e muito amplo cujas mangas são por vezes em tule, necessariamente chegada à cintura por um cinto de prata ou de coiro trabalhado. Nos pés, a argelina calça em casa os kab'kab', espécie de tamancos de madeira. O pé é sustentado por uma correia de coiro através da qual passa. (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) p. 72
Egoísmo masculino
Ó Profeta, diz às tuas mulheres, às tuas filhas e às mulheres dos
crentes que se guardem nos seus véus.
Será o meio mais seguro de serem respeitadas. (Corão, 33-59)
crentes que se guardem nos seus véus.
Será o meio mais seguro de serem respeitadas. (Corão, 33-59)
"A mulher argelina participa muito pouco no desenvolvimento económico do país e continua dependente do homem. Por este motivo, mantém-se um ser menor cuja abertura é essencialmente impedida pelo egoísmo masculino. (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) p. 65
Solidariedade de clã
"Na Argélia o que chama mais a atenção, por ocasião da morte de uma pessoa, é o interesse que a comunidade inteira lhe devota. A este nível, a tragédia da morte é sentida, muito mais do que noutro ponto, como um atentado aos sentimentos de todo o meio social, devido a um certo poder das relações interfamiliares e intergrupais. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma forma de solidariedade de clã (...).
Um provérbio do Sul argelino diz: Cada lágrima que cai por um morto, é para ele uma faísca no Inferno. Na realidade, a religião muçulmana proíbe que se chorem os mortos em demasia. (...) Muitas vezes, em certas regiões da Argélia rural, há o costume de deixar a porta da casa aberta, para permitir a todos que o desejem - mesmo desconhecidos - compartilhar a dor da família e exprimir as suas condolências. (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) p. 54
Fada benfazeja
"Para as crianças argelinas, os irmãos e as irmãs não nascem das couves. É uma fada benfazeja que as coloca na cama da mãe. Isto, diz a lenda. Na realidade, o nascimento de uma criança é considerado como um grande acontecimento nas famílias argelinas. Com esta finalidade, um certo número de ritos e de cerimónias são organizados em honra de recém-nascido e de sua mãe. (...)"
Rachid Boudjedra
A vida contemporânea na Argélia na época contemporânea
Livros do Brasil (1972) p. 17
Acréscimo de nudez
"O eterno jogo de Nedjma é reduzir o vestido ao mínimo em poses acrobáticas de avestruz estimulada pela solidão; sobre uma tal pelagem, o vestido é um acréscimo de nudez, a feminilidade de Nedjma está algures (...)"
Kateb Yacine
Nedjma Tricontinental Editora (1987) p.70
terça-feira, 26 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
A Arte do "Zajal" | Estudo de Poética Árabe | Michel Sleiman
Miasmas de hortelã e de lírio
"Os miasmas dos dias cada vez mais quentes de Junho persistem, apesar das lavagens a balde; mas são miasmas de hortelã e de lírio (...)"
Kateb Yacine
Nedjma Tricontinental Editora (1987) p.157
Cheio de luz no rosto
"As minhas lágrimas, tão grandes, encharcaram-me
os pés mais o tapete verde do mihrab,
sob o olhar benigno de Maulana
Kássimo Taybob, cheio de luz no rosto
e aura azul-celeste a envolver-lhe o corpo. (...)"
os pés mais o tapete verde do mihrab,
sob o olhar benigno de Maulana
Kássimo Taybob, cheio de luz no rosto
e aura azul-celeste a envolver-lhe o corpo. (...)"
António Barahona
Raspar o Fundo da Gaveta e Enfunar uma Gávea
Averno (2011), p.27
sábado, 23 de março de 2013
As mulheres na poesia árabe contemporânea
"This anthology was prepared to eradicate invisibility: to provide an introduction to Arab women poets, to make visible the works of a great number of Arab women poets who are virtually unknown to the West, to make visible how many Arab American women poets are marginalized within the American literary and ethnic scenes, and to demonstrate the wide diversity of Arab women's poetry..."
Nathalie Handal
(do prefácio)
segunda-feira, 11 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Algumas palavras berberes
Tafuyt - Sol
Oungaal - Preto
Issalman - Peixes
Alkhekh - Areia
Serwal - Calças
Adad - Dedo
Samhi - Perdão
Tadart - Casa
Drra - Milho
Afuus - Mão
Amnassf - Metade
Oungaal - Preto
Issalman - Peixes
Alkhekh - Areia
Serwal - Calças
Adad - Dedo
Samhi - Perdão
Tadart - Casa
Drra - Milho
Afuus - Mão
Amnassf - Metade
quarta-feira, 6 de março de 2013
Metempsicose?
"Nedjma: não é ela a reencarnação de Eurídice trazida dos infernos por Orpheu, seu amante? Não ela a sua [de Kateb Yacine] metempsicose?"
Benamar Médiène
trad. por aqf
trad. por aqf
segunda-feira, 4 de março de 2013
A sombria vivacidade de um muro de terra seca
"Mesmo aos trinta anos, nómada como era, só acreditava na sua sombra, e parecia-lhe que o excedente dos anos ia um dia ser reabsorvido no vazio, conter o seu passado transbordante, como se tivesse consciência de andar em círculo, sem abandonar o ponto de partida, que situava vagamente entre o salto do berço e as vagabundagens em torno do Rochedo*, de maneira que o círculo não passava de um passeio a contragosto que por pouco o não perdera, de onde regressava às apalpadelas, não só ele, o adolescente voltando ao bom caminho, não, o seu fantasma votado a essa triste caminhada de cego chocando com o fabuloso passado, o amanhecer, a primeira infância em direcção à qual permanecia prostrado, repetindo palavras e os gestos da raça humana com uma fluidez que o deixava interiormente intacto, como um caroço prestes a germinar sob outros céus, bloco errático dotado de imperturbáveis recordações, tendo sempre sentido materialmente a sua existência em fuga, à maneira de uma erva ou de uma água, e, por volta dos cinco ou seis anos, lembrava-se de ter adoptado a sombria vivacidade de um muro de terra seca que abraçava, ao qual foram dirigidos os seus monólogos de órfão. (...)"
Kateb Yacine
Nedjma
Tricontinental Editora (1987)
*Referência à sua terra natal, Constantina na Argélia.
domingo, 3 de março de 2013
Uma infância de lagarto à beira de um rio desmaiado
"Que belo dia, que magnífico pedaço de céu!
Lembrei-me da minha audaciosa infância; é verdade, eu era livre, era feliz no leito de Rhummel; uma infância de lagarto à beira de um rio desmaiado. Nas horas mais quentes, adormecia debaixo dos cedros, e o sono expulsava a melancolia; acordava inchado de calor. Parecia-se com esta alegria, sob a figueira, o ver Nedjma à saída do banho, distante, mas sem desaparecer, qual astro impossível de pilhar na sua fulgurante luz. (...)"
Kateb Yacine
Nedjma
Tricontinental Editora (1987)
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Omar Mokhtar Châalal sobre Kateb Yacine, Jean Sénac, Albert Camus, entre outros.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Kateb Yacine, Jeacques Berque e Jean Duvugnaud
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Sangue
"Quem nunca passou a noite nas pupilas duma ave de rapina pode saber a que cadência foge o sangue negro dum coração mordido pelo terror?"
Kateb Yacine
O Pó da Inteligência (Teatro)
Tradução de Luís Varela e Christine Zurbach.
Tradução de Luís Varela e Christine Zurbach.
Da não militância de Kateb Yacine
"Is Kateb [Yacine] a militant? His tumultuous relations with Alger républicain are well known. He had earned a modest living for a while by working for this Algerian Communist Party newspaper, but in opposition to its demand for unquestioning loyalty, he agressively defended the independence of the writer's mission. Ce que je refuse chez Brecht, he announced during the late 1950s (...) Kateb's own activities as a writer partially paralleled his friedships with political activists and his strong opinions, even if they are transcended by the rich complexity of an oeuvre tha inattentive readers have akk too often reductively misinterpreted as no more than the expression of its author's militancy. (...)"
Charles Bonn
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Dia 14 de Fevereiro em Montpellier com Kaoutar Harchi
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Entrevista a Henri Teissier Arcebispo Emérito de Argel
domingo, 30 de dezembro de 2012
As minorias cristãs no mundo árabe
Em março de 1996, sete monges franceses da Ordem de Cister são raptados do mosteiro de Tibirine, 90 quilómetros a sul da capital da Argélia. Dois meses depois, os seus corpos, decapitados, são encontrados numa montanha.
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/sociedadedasnacoes/2012/12/28/as-minorias-cristas-no-mundo-arabe
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Pan-arabismo
"L'idéal du panarabisme ne me concerne pas. Ça ne tient pas debout pour moi. Il ya des peuples de langue arabe : il ya un peuple syrien, un peuple palestinien, un peuple libyen. Je m'oppose à l'idéologie qui utilise des termes flous, parce que je trouve qu'elle est fausse scientifiquement et très dangereuse. C'est elle qui nous a fait rater l'Afrique, par exemple. Voilà pourquoi nous, Nord-Africains, nous tournons le dos à l'Afrique : parce que l'arabo-islamisme nous masque l'Afrique d'abord. Nous sommes Africains, oui, c'est une notion vraie, géographiquement vraie et historiquement vraie... Si on voyait les choses à l'échelle africaine, on pourrait comprendre maintenant l'importance de l'Afrique du Sud pour nous. On pourrait en ce moment avoir une plus grande solidarité avec les peuples africains pour faire tomber les barrières."
Kateb Yacine
La Presse, 24 de Dezembro, 1986
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Promessas religiosas
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| Edgar Morin e Cornelius Castoriadis |
Cornelius Castoriadis: (...) Existiram lutas multisseculares para conseguir separar o religioso do divino. Um movimento deste tipo nunca aconteceu no Islão. Este tem perante si um Ocidente que já só vive enquanto devora a sua herança e que preserva o satu quo liberal mas já não inventa significados emancipatórios Aos Árabes diz-se mais ou menos isto: «deitem fora o Corão e comprem videoclips de Madonna» enquanto, ao mesmo tempo, lhes vendemos a crédito aviões Mirage. Se existe uma «responsabilidade» histórica do Ocidente a este respeito reside aí. O vazio de sentido das nossas sociedades no coração das democracias modernas não pode ser preenchido pela acumulação de «gadgets». Não pode deslocar as significações religiosas que mantêm aquelas sociedades coesas. É aí que se encontra a pesada perspectiva do futuro. (...)"
Edgar Morin: (...) É verdade que deparamos, à primeira vista, com massas magrebinas em fúria, julgando que um subjugador é um libertador [Saddam Hussein]. Mas isso não é uma característica árabe ou islâmica: também nós protagonizámos, mais que não fosse através da nossa idolatria para com Estaline ou Mao, que não é assim tão antiga. Conhecemos as histerias religiosas, nacionalistas, messiânicas. (...) Neste estado de coisas, talvez provisório, acreditamos que as paixões e os fanatismos são próprios dos Árabes. A um nível mais profundo podemos lastimar que a democracia não consiga implantar-se fora da Europa ocidental. Mas basta pensar em Espanha, na Grécia, na Alemanha nazi de ontem e na própria França para compreender que a democracia é um sistema difícil de se enraizar. Alimenta-se de diversidades e conflitos enquanto for capaz de regulá-los e de torná-los produtivos, mas também pôde ser precisamente destruída por eles. Não pôde implantar-se no mundo árabe-islâmico porque, primeiramente, este não pôde realizar o estado histórico da laicização que - do século VIII ao século XIII - germinava sem dúvida dentro de si, mas que o Ocidente pôde, por seu lado, encetar a partir do século XVI. Só a laicização, que é o recuo da religião em relação ao Estado e à vida pública, permite a democratização. Mesmo nos países árabe-islâmicos onde existiram poderosos movimentos de laicização, a democracia parecia uma solução fraca quando comparada com a revolução, a qual permitia simultaneamente a emancipação em relação ao Ocidente dominador. Ora, tanto as promessas da revolução nacionalista como a da revolução comunista eram promessas religiosas, uma trazendo a religião do Estado-Nação, a outra a da salvação terrestre. (...)
Cornelius Castoriadis: Parece-me claro que a situação mundial é intolerável e insuportável, que o ocidente não dispõe nem dos meios nem da vontade para modificá-la no que é essencial e que o movimento de emancipação se encontra encravado. (...) Um parêntesis para dizer que sabemos que durante todo um período os Árabes foram mais civilizados do que os Ocidentais. Depois eclipsaram-se. O que captaram da herança da Antiguidade nunca foi porém de natureza política; a problemática política dos Gregos, fundamental para a democracia, não fecundou entre os filósofos e as sociedades árabes. As comunas europeias arrancaram as suas liberdades, a nível mundial, no final do século X. Não se trata de «julgar» os Árabes mas de constatar que o ocidente precisou de dez séculos para conseguir, com maior ou menor sucesso, libertar a sociedade política do domínio religiosos. (...)
Discussão entre Cornelius Castoriadis e Edgar Morin, publicada no Le Monde, 19 de Março de 1991, in. A ascensão da insignificância, de Cornelius Castoriadis, Editorial Bizâncio (2012), pp. 57-64.
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