quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Família Kateb

Kateb Yacine (no canto superior direito)
com o pai, a mãe, duas irmãs e o irmão mais novo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sangue

"Quem nunca passou a noite nas pupilas duma ave de rapina pode saber a que cadência foge o sangue negro dum coração mordido pelo terror?"

Kateb Yacine
O Pó da Inteligência (Teatro)
Tradução de Luís Varela e Christine Zurbach.

Da não militância de Kateb Yacine

"Is Kateb [Yacine] a militant? His tumultuous relations with Alger républicain are well known. He had earned a modest living for a while by working for this Algerian Communist Party newspaper, but in opposition to its demand for unquestioning loyalty, he agressively defended the independence of the writer's mission. Ce que je refuse chez Brecht, he announced during the late 1950s (...) Kateb's own activities as a writer partially paralleled his friedships with political activists and his strong opinions, even if they are transcended by the rich complexity of an oeuvre tha inattentive readers have akk too often reductively misinterpreted as no more than the expression of its author's militancy. (...)" 

 Charles Bonn

domingo, 30 de dezembro de 2012

As minorias cristãs no mundo árabe


Em março de 1996, sete monges franceses da Ordem de Cister são raptados do mosteiro de Tibirine, 90 quilómetros a sul da capital da Argélia. Dois meses depois, os seus corpos, decapitados, são encontrados numa montanha.

http://sicnoticias.sapo.pt/programas/sociedadedasnacoes/2012/12/28/as-minorias-cristas-no-mundo-arabe

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pan-arabismo

"L'idéal du panarabisme ne me concerne pas. Ça ne tient pas debout pour moi. Il ya des peuples de langue arabe : il ya un peuple syrien, un peuple palestinien, un peuple libyen. Je m'oppose à l'idéologie qui utilise des termes flous, parce que je trouve qu'elle est fausse scientifiquement et très dangereuse. C'est elle qui nous a fait rater l'Afrique, par exemple. Voilà pourquoi nous, Nord-Africains, nous tournons le dos à l'Afrique : parce que l'arabo-islamisme nous masque l'Afrique d'abord. Nous sommes Africains, oui, c'est une notion vraie, géographiquement vraie et historiquement vraie... Si on voyait les choses à l'échelle africaine, on pourrait comprendre maintenant l'importance de l'Afrique du Sud pour nous. On pourrait en ce moment avoir une plus grande solidarité avec les peuples africains pour faire tomber les barrières." 

Kateb Yacine
La Presse, 24 de Dezembro, 1986

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Promessas religiosas

Edgar Morin e Cornelius Castoriadis

Cornelius Castoriadis: (...) Existiram  lutas multisseculares para conseguir separar o religioso do divino. Um movimento deste tipo nunca aconteceu no Islão. Este tem perante si um Ocidente que já só vive enquanto devora a sua herança e que preserva o satu quo liberal mas já não inventa significados emancipatórios  Aos Árabes diz-se mais ou menos isto: «deitem fora o Corão e comprem videoclips de Madonna» enquanto, ao mesmo tempo, lhes vendemos a crédito aviões Mirage. Se existe uma «responsabilidade» histórica do Ocidente a este respeito reside aí. O vazio de sentido das nossas sociedades no coração das democracias modernas não pode ser preenchido pela acumulação de «gadgets». Não pode deslocar as significações religiosas que mantêm aquelas sociedades coesas. É aí que se encontra a pesada perspectiva do futuro. (...)"

Edgar Morin: (...) É verdade que deparamos, à primeira vista, com massas magrebinas em fúria, julgando que um subjugador é um libertador [Saddam Hussein]. Mas isso não é uma característica árabe ou islâmica: também nós protagonizámos, mais que não fosse através da nossa idolatria para com Estaline ou Mao, que não é assim tão antiga. Conhecemos as histerias religiosas, nacionalistas, messiânicas. (...) Neste estado de coisas, talvez provisório, acreditamos que as paixões e os fanatismos são próprios dos Árabes. A um nível mais profundo podemos lastimar que a democracia não consiga implantar-se fora da Europa ocidental. Mas basta pensar em Espanha, na Grécia, na Alemanha nazi de ontem e na própria França para compreender que a democracia é um sistema difícil de se enraizar. Alimenta-se de diversidades e conflitos enquanto for capaz de regulá-los e de torná-los produtivos, mas também pôde ser precisamente destruída por eles. Não pôde implantar-se no mundo árabe-islâmico porque, primeiramente, este não pôde realizar o estado histórico da laicização que - do século VIII ao século XIII - germinava sem dúvida dentro de si, mas que o Ocidente pôde, por seu lado, encetar a partir do século XVI. Só a laicização, que é o recuo da religião em relação ao Estado e à vida pública, permite a democratização. Mesmo nos países árabe-islâmicos onde existiram poderosos movimentos de laicização, a democracia parecia uma solução fraca quando comparada com a revolução, a qual permitia simultaneamente a emancipação em relação ao Ocidente dominador. Ora, tanto as promessas da revolução nacionalista como a da revolução comunista eram promessas religiosas, uma trazendo a religião do Estado-Nação, a outra a da salvação terrestre. (...)

Cornelius Castoriadis: Parece-me claro que a situação mundial é intolerável e insuportável, que o ocidente não dispõe nem dos meios nem da vontade para modificá-la  no que é essencial e que o movimento de emancipação se encontra encravado. (...) Um parêntesis para dizer que sabemos que durante todo um período os Árabes foram mais civilizados do que os Ocidentais. Depois eclipsaram-se. O que captaram da herança da Antiguidade nunca foi porém de natureza política; a problemática política dos Gregos, fundamental para a democracia, não fecundou entre os filósofos e as sociedades árabes. As comunas europeias arrancaram as suas liberdades, a nível mundial, no final do século X. Não se trata de «julgar» os Árabes mas de constatar que o ocidente precisou de dez séculos para conseguir, com maior ou menor sucesso, libertar a sociedade política do domínio religiosos. (...)

Discussão entre Cornelius Castoriadis e Edgar Morin, publicada no Le Monde, 19 de Março de 1991, in. A ascensão da insignificância, de Cornelius Castoriadis, Editorial Bizâncio (2012), pp. 57-64.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"L'urgente nécessité de filmer un pays merveilleux..."



Kateb Yacine em 1989 na apresentação do filme "Kateb Yacine: l'amour et la révolution" de  Kamel Dehane.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Homenagem a Kateb Yacine


No âmbito da 5ª Edição do Festival La Roseraie des Cultures em L'Haÿ-les-Roses, França. Com as participações de Yahia Belaskri,  Anouar Benmalek, Jean-Pierre Han e Alain Mabanckou.

sábado, 10 de novembro de 2012

Parce que c'est une femme de Kateb Yacine


Encenação de Melinda Heeger e Marwanne El Boubsi. Música de Karine Germaix

domingo, 28 de outubro de 2012

FMA homenageia Kateb Yacine nos 23 anos da sua morte


Kateb Yacine será homenageado na 13ª. edição do Festival do Mundo Árabe de Monte Real. Mais informações aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Isto já não é mais um país

"À asfixia de todo um povo, sofrimento e vergonha, junta-se a tragédia de todos e de cada um, isto já não é mais um país, é um orfanato."

Kateb Yacine

The denial of the African person’s humanity.

Antoine Roger Lokongo

"(...) why is Africa so important to France? [Xavier] Renou suggests three reasons: (1) Maintaining an international status independent of American and Chinese influences (the Soviet Union yesterday); (2) Securing a permanent access to strategic resources; (3) Benefiting from a monopolistic situation. To attain these objectives and maintain its power over its former colonies, France has to pursue a global policy that would be economic, political and cultural (Renou 2002). It is our firm belief that, in the 21st century, Africa does not need all these remnants frameworks of colonialism, call it Commonwealth, Francophonie, Lusophonie, and so on. (...) Having said that, we agree with Algerian writer Kateb Yacine who wrote that ‘La Francophonie is a neo-colonial political machine, which only perpetuates our alienation, but the usage of the French language does not mean that one is an agent of a foreign power; and I write in French to tell the French that I am not French’ (Djaout 1987, 9). Colonisation was not jut a ‘historical mistake’ as President François Hollande said in Dakar before heading to Kinshasa. It was the very denial of the African person’s humanity. (...)"

Antoine Roger Lokongo

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Heritage


"As Kateb [Yacine] said in a conference at the University of Algiers in 1967, Nedjma is a symbol for Algeria. Her complicated parentage represents Algeria's rich heritage (...) The four friends' obsession with Nedjma and their rivalry symbolize Algerians' love for their country, their conflicts, and their struggle to define themselves and to envision a future nation."

Abdelkader Aoudjit
The Algerian Novel and Colonial Discourse,
Francophone Cultures and Literatures (2010) p. 22

No 23º aniversário da sua morte


O Ministério da Cultura argelino e a Maison de la Culture Mouloud Mammeri organizam no próximo dia 29 em Tizi-Ouzou na Argélia, um simpósio dedicado a Kateb Yacine no 23º aniversário da sua morte. 
"La configuration de l'amour de la Patrie dans l'œuvre de Nedjma" inclui conferências, exposições e leituras da obra de Kateb Yacine e participam, entre outros, Lakroun Mahfoud, Boukhelou Malika, Benachour Bouziane,Yamilé Ghobalou, Betouche Aini e Said Chemakh.


Tudo aqui.

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Já a 4ª Edição do Colóquio Internacional sobre a vida e a obra de Kateb Yacine, (marcada para  o início de Novembro em Guelma, na Argélia) foi adiada por falta de verbas e em sinal de protesto contra as políticas culturais do governo da Algéria.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Boucherie de l'Espérance de Kateb Yacine


Encenação de François Fehner e Nathalie Hauwelle, de 20 a 27 de Outubro, no espaço La Grainerie em Balma, França. Mais informações aqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Une œuvre magistrale

"Quand on parle de Kateb Yacine, c’est toujours en tant que romancier et notamment en rapport avec Nedjma. Or Kateb Yacine est une dimension pluridimensionnelle, pas seulement l’homme du roman. Romancier, poète, Kateb Yacine est aussi dramaturge. Ces trois composantes constituent son œuvre. Mais c’est vers le théâtre que Kateb Yacine s’est tourné. (...)"

Yacine Idjer 
(22/10/2012)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Kateb Yacine no Canadá

Conferência sobre Kateb Yacine dia 5 de Novembro na Place des arts (Montreal, Canadá) com as particiações de Nylda Aktouf, Mouloud Belabdi e Faiza Kadri. Mais informações aqui.

domingo, 7 de outubro de 2012

Bilhete de Identidade

"Eu não sou árabe, no meu bilhete de identidade do mundo irreal, sou mulher, e sem ocupação determinada. Tenho quarenta e quatro anos, pareço jovem e portuguesa de nascimento. Mas tive a rara impressão de que isso e tudo
um dia será erguido na minha mão,
ou seja,
meu círculo
ou silêncio luminoso que restar."

Maria Gabriela Llansol
Uma data em cada mão | Livro das Horas I 
(2009) p.146

sábado, 6 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Kateb Yacine no Théâtre Dijon Bourgogne

Kateb Yacine

Le poète comme boxeur, mise en scène de Kheireddine Lardjam, dia 24 de Novembro, às 17h00. Mais informações aqui.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Asefru

 
   Pierre Bourdieu
Mouloud Mammeri
Mouloud Mammeria - Uma das designações para a poesia no dialeto cabila é asefru (plural: isefra), que provém de fru, elucidar, esclarecer uma coisa obscura (em outros dialetos berberes é um pouco diferente). Parece-me uma acepção antiga. Em latim, poema é carmen, que significava, se não me engano, o sortilégio, a fórmula eficaz, que abre portas. É o mesmo sentido de asefru e, talvez, essa concordância não seja puramente acidental nesses idiomas mediterrânicos, para os quais o verbo é, de início, um instrumento de elucidação, que torna as coisas permeáveis à nossa razão.

Pierre Bourdieu. – Fru também significa selecionar o grão? Seria o poeta, então, aquele que sabe distinguir, tornar distinto, quem, por seu discernimento, opera uma diacrisis, separa coisas ordinariamente confundidas?

M. M. – O poeta é quem elucida coisas obscuras.

Diálogo sobre a poesia oral na Cabília, 
entrevista de Mouloud Mammeri a Pierre Bourdieu, aqui.

Da cultura berbero-árabe

n. 04 (2006), Sumário

"ARGÉLIA tem como língua oficial o árabe mas outras línguas são igualmente faladas, como o berbere e o francês. O berbere é a língua materna de 25 a 35% da população (num total de 33 milhões de habitantes) e foi reconhecido como língua nacional mas «não oficial» desde 2002, aquando da revisão constitucional. A Argélia, enquanto colónia francesa, sofreu uma guerra de independência — obtida em 1962 com os acordos de Evian — a francização do ensino e o consequente desmantelamento do ensino em árabe. Após a independência, o Estado argelino e igualmente o marroquino optaram por uma política de arabização linguística sob o pretexto de regresso à cultura pré-colonial. Essa política pode parecer paradoxal uma vez que o árabe é apenas uma língua de colonização mais antiga desses países, já que os berberes eram os habitantes originais. É a partir de 1980 que a questão da oficialização do berbere se coloca de modo mais premente e aberto. Durante o período colonial, segundo o modelo de Albert Camus, autor francês inspirado pela sua vivência no Magrebe, e de outros escritores da denominada «Escola de Argel» que reunia jovens talentos, vários escritores de cultura berbero-árabe tentaram exprimir-se em francês, língua da qual receberam uma sólida formação escolar. Com efeito, enquanto colonizados foram afastados do árabe clássico, sendo o francês a língua com prestígio e o único meio de promoção social. Além disso, tendo em conta as elevadas taxas de analfabetismo do Magrebe (cerca de 90% em 1960) os escritores viam-se privados do seu público leitor natural e a única alternativa consistia em escreverem para os europeus, aos quais procuraram mostrar as realidades e problemas argelinos.
Por vezes, isso cria algumas animosidades por parte dos seus compatriotas escritores que vêem aí um sinal de submissão ao colonizador.
Devemos ter bem presente o drama linguístico do colonizado: movimenta-se entre duas línguas que não possuem o mesmo estatuto (sendo a língua materna do colonizado a menos valorizada) e que dão acesso a dois universos em conflito: o do colonizador e o do colonizado. (...)"

Ana Cristina Tavares
Babilónia nº4, (2006) pp. 41-53